Quando as Palavras e as Atitudes Divergem 📌
Tem um ditado no mercado que vale mais do que qualquer teleconferência de resultados: observe o que a pessoa faz, não o que ela fala. E agora esse princípio está sendo testado no investidor mais acompanhado do planeta — Warren Buffett.
Em uma entrevista no início de maio, perguntaram diretamente a Buffett se as ações estavam caras demais. A resposta foi seca: "Sim." Ele acrescentou que os preços de "muitas coisas vão parecer bem ridículos" e que nunca viu tanta gente em clima de cassino.
Passaram-se cinco meses e meio, e o S&P 500 subiu cerca de 7% desde então. Mas o plot twist que está deixando todo mundo coçando a cabeça: a Berkshire Hathaway ficou mais agressiva — não menos. 🔥

Berkshire Inverte o Jogo: De Vendedora a Compradora 🐂
No segundo trimestre, a Berkshire se tornou compradora líquida de ações pela primeira vez em três anos e meio. O conglomerado comprou cerca de US$ 23,5 bilhões em papéis e vendeu apenas US$ 3,7 bilhões. Uma reviravolta e tanto, já que antes a empresa estava enxugando posições importantes como Apple e Bank of America.
No mesmo período, a Berkshire recomprou US$ 4,5 bilhões das próprias ações — a primeira recompra relevante desde 2024, depois de uma modesta aquisição de US$ 235 milhões no primeiro trimestre.
Por Que a Recompra Importa
Historicamente, a Berkshire só recompra suas ações quando acredita que os ativos estão sendo negociados abaixo do valor intrínseco. A empresa já usou referências de preço sobre valor patrimonial (P/B) de 1,1x e 1,2x, mas abandonou esses limites em 2018. Hoje, a ação negocia acima de 1,5x book, embora tenha caído abaixo de 1,4x no segundo trimestre — exatamente quando a gestão estava comprando.
Esse timing não é coincidência. É um sinal. 💸
O mercado está dividido sobre se essa onda de compras da Berkshire é um sinal de alta ou um alerta. Veja como os dois lados enxergam:

O Que a Berkshire Está Comprando de Verdade 🔍
Aqui a coisa fica interessante. No início de outubro, mais de um quarto das ações do S&P 500 estavam 40% ou mais abaixo das máximas. Um value investor clássico iria caçar pechinchas por lá. A Berkshire fez diferente.
| Posição | Ação | Tamanho / Detalhe |
|---|---|---|
| Alphabet (GOOGL) | Aporte significativo via colocação privada | 3ª maior posição, ~13% do portfólio |
| Bending Spoons (BSP) | US$ 600M no IPO de julho + US$ 330M em outubro | 29x P/L projetado (2027), alavancada |
| Recompra Berkshire | US$ 4,5B recomprados | P/B próximo de 1,4x na janela de compra |
A Alphabet agora representa quase 13% do portfólio de ações da Berkshire e, junto com a Apple, soma cerca de 35% do total. Já a Bending Spoons — uma holding digital italiana que compra empresas de tecnologia combalidas e corta custos — negocia a um múltiplo salgado e carrega dívida considerável. Não é exatamente a pechincha tradicional do Buffett.
A Tensão do Valuation
Métricas olhando para trás, como o CAPE, e preocupações com o financiamento da IA estão piscando amarelo. Mas os sinais olhando para frente contam outra história: o gasto acumulado em IA em relação ao PIB ainda parece cedo comparado a ciclos de inovação anteriores, e o PEG ratio do S&P 500 está perto das mínimas históricas. É essa brecha que a Berkshire parece estar explorando — comprar crescimento a um preço futuro razoável em vez de caçar armadilhas de valor. 🎯
📊 Análise Fundamentalista Detalhada
| Empresa | Preço da Ação | P/L (Preço/Lucro) | P/VP (Preço/Valor Patrimonial) | ROE (Retorno s/ PL) | Margem Operacional | Crescimento da Receita |
|---|---|---|---|---|---|---|
| GOOG (Alphabet) | $340 | 17.07 | 6.68 | 48.68% | 34.03% | 24.20% |
| GOOGL (Alphabet) | $344 | 17.27 | 6.76 | 48.68% | 34.03% | 24.20% |
| BSP (Bending) | $46 | 103.75 | 21.80 | 0.00% | 35.41% | 126.30% |
| AAPL (Apple) | $343 | 39.33 | 46.60 | 148.75% | 32.62% | 16.40% |

Cenários e o Veredito Final 🎯
Melhor Caso 🐂
- O gasto em infraestrutura de IA compõe até 2027, os lucros futuros alcançam os valuations, e as apostas em Alphabet e Bending Spoons rendem bem.
- Recompras a ~1,4x book se mostram accretivas conforme o valor intrínseco cresce.
- O baixo PEG do S&P 500 indica espaço para o rali continuar.
Pior Caso 🐻
- Uma bolha de IA esvazia, as estimativas futuras são cortadas, e a posição alavancada na Bending Spoons amplifica as perdas.
- CAPE elevado volta à média, puxando as megacaps de tech — e 35% do portfólio da Berkshire — para baixo.
- Recompras a 1,5x book parecem caras em retrospectiva.
Conclusão
Acertar o timing do mercado é quase impossível; tempo no mercado historicamente constrói mais riqueza. O comportamento da Berkshire no segundo trimestre — comprando ações, recomprando papéis e aumentando exposição a nomes ligados à IA — sugere que a gestão está fazendo preço médio em um mercado que ainda considera caro. É uma postura cheia de nuances: palavras cautelosas, atitudes construtivas. O investidor deve pesar o risco de valuation com cuidado, mas o próprio manual da Berkshire argumenta contra ficar 100% fora do jogo. 📌
